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Sincomerciários de Votuporanga promoveu o 1º Café Sensorial

Sob coordenação do Sindicato dos Comerciários de Votuporanga, foi realizado na manhã do dia 12 de junho o 1º Café Sensorial.

publicado em 19/06/2013

“Deficiência é não enxergar, nas pessoas, as suas verdadeiras eficiências”

Bianca Waitman acaba de conquistar vaga, por meio de processo seletivo, no setor de Marketing da Unifev e usou frase de Ronne Paulo de Magalhães para encerrar seu depoimento sobre o valor das oportunidades

Glauce Sereno
Sob coordenação do Sindicato dos Comerciários de Votuporanga, foi realizado na manhã do dia 12 de junho o 1º Café Sensorial. O projeto idealizado por Luiz Carlos Motta, presidente da Fecomerciários, foi apresentado a empresários, autoridades, imprensas e portadores de necessidades especiais, no auditório da Apae, entre 8h30 e 12h.
Emocionada, Lia Marques, presidente do Sincomerciários, abriu o evento agradecendo a presença de todos, em especial dos palestrantes Paulo José Lara Dante, coordenador do projeto, e a pedagoga Maria de Fátima e Silva. Lia também falou com carinho sobre a Apae e disse aos diretores Marcia e Douglas Gianoti que, desde que abraçou a ideia de trazer o Café para Votuporanga, pensou que a escola seria o local ideal para sediar e mostrar à sociedade que deficiência nada tem a ver com ineficiência. Lia também lembrou que a data de ontem, além de ser marcada pelo evento, também foi o Dia Mundial e Nacional Contra o Trabalho Infantil, outra causa bastante defendida pelos comerciários. E com lágrimas nos olhos falou de José Delgado, falecido proprietário da rede Santa Cruz, que completaria mais um ano de vida anteontem. De acordo com a presidente, o empresário sempre foi exemplo de bom empregador. Na oportunidade, Delgado foi representado pela filha Andréa e pelo genro Renato Elias, que, seguindo o exemplo, promovem a inclusão de vários portadores de deficiência, inclusive, levaram ao Café dois de seus colaboradores especiais, Claudemir e Fernando.
Todos da mesa principal, formada por Marli Pignatari, presidente do Fundo Social de Solidariedade, Carlinhos, presidente do Sincomerciários de Catanduva, João Herrera, presidente do Sincomércio de Votuporanga, Marcia e Douglas Gianoti, diretores da Apae, a Gerente de Pessoas do Setor de Talentos, Maria Luiza DaltriGoeldner, Renato Gaspar Martins, diretor regional da Apas (Associação Paulista de Supermercados), Waldecy Bortoloti, vice-prefeito, Emerson Pereira, secretário municipal de Direitos Humanos, Luiz da Casa Globo, presidente da ACV (Associação Comercial de Votuporanga) e Diogo Mendes Vicentin, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico parabenizaram a iniciativa e se colocaram à disposição para colaborarem com a rede de incentivo à inclusão que deve ser formada a partir desse primeiro passo. Renato Martins falou também em nome da empresa que dirige, a rede de supermercados Santa Cruz, que emprega 15 deficientes. De acordo com o testemunho dele, a alegria e força de vontade desses profissionais incentivam todo o grupo, são exemplos de superação e alegria. “Depois de um dia estressante de trabalho, receber um abraço sincero de um dos colaboradores especiais é reconfortante”, diz Renato.
Com o objetivo de proporcionar aos presentes as sensações dos deficientes, alguns entraram e passearam pelo ambiente com os olhos vendados, sendo guiados por diretores do sindicato e sentiram as dificuldades que a falta do sentido faz mesmo em simples atividades do dia a dia. Depois de passar pela experiência, Vanessa PagliaraniZeitune, docente da Unifev, disse que sentir na pele dá maior dimensão do quanto as pessoas portadoras de deficiência precisam se superar. Acostumada a ter tudo ao alcance da vista, vendada se sentiu incompetente, insegura e sem a menor confiança em si. A sensação de total dependência mostra que a pessoas que conseguem se adaptar à vida mesmo tendo limitações estão aptas a desenvolver muitas atividades no mercado de trabalho, só precisam de oportunidade. Também da Unifev, a Gerente de Pessoas do Setor de Talentos,Maria Luiza DaltriGoeldner, expôs o projeto “Abrindo Portas” que a instituição mantém desde 2008 e que já inclui 15 deficientes em seu quadro de colaboradores que hoje ultrapassa 440. Isa fala com amor sobre a troca de experiência, e sobre a difícil, porém, necessária interação. “Todos ganham com a inclusão”, disse ela, lembrando que para o profissional deficiente o desafio de encarar o mercado é tão grande quanto o dos já estabelecidos,na função de receber e deixar à vontade esse novo perfil de colaborador. O ambiente deve se adaptar e as pessoas precisam se reciclar.

Fecomerciários
O coordenador estadual do Café Sensorial, Paulo José Lara Dante, mencionou as direções em que precisamos seguir para chegarmos ao ponto comum que é o slogam do projeto “Pela inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”. Para ele, o amor é o principal caminho, mas procurar fazer a diferença e ter noção de que em grupo somos mais fortes pela causa devem ser somados a este sentimento. Portanto, ‘amar, fazer a diferença e unir esforços’ formam o tripé que sustenta os novos rumos da inclusão. Em seu discurso, o coordenador disse ainda que o Café Sensorial é só o começo e que deve funcionar como mola propulsora para outras iniciativas no sentido do mercado absorver a mão de obra de deficientes. “Os participantes devem servir para formar redes de conscientização”, salientou.
Quase que em contrapartida, a pedagoga Maria de Fátima e Silva faz um discurso prático sobre a atual situação do mercado em relação à inclusão. Segundo ela, o amor deveria, sim, ser o principal ingrediente para sensibilizar os empresários a dar oportunidades aos deficientes, “mas como exigir amor ao próximo num país onde inclusive leis que protegem nossas próprias vidas, por exemplo, a que exige o uso de cinto de segurança, necessitam multas e sansões para que sejam colocadas em prática?”. De acordo com ela, se existe lei, deve-se fazer cumprir. “O ideal seria se não precisasse, mas caso o ideal não seja alcançado, multa é a solução”, diz ela, ratificando que inclusão de deficientes no mercado de trabalho é questão de direito. A pedagoga disse ainda que a lei de inclusão, nº 8213 existe desde 1.991, mas só começou a vigorar de fato a partir do decreto 3298, em 2000, que estipulou multas que podem chegar ao teto de R$ 170 mil, renováveis a cada 24 horas até que a empresa regularize a situação.
Fátima também falou que dar oportunidade a deficientes não é uma questão só de bondade, que a inserção desses mais de 23% da população (número de deficientes no Brasil, segundo último Censo) influencia diretamente na economia do país. Na busca por uma sociedade sustentável, onde é necessário enxugar a previdência e dar poder de compra ao maior número de pessoas possível, não deve haver lugar para o preconceito.
Finalizando a pedagoga deixou belas palavras sobre superação, força de vontade e otimismo, como: “Eu posso, se eu quiser.”

Apae
A Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) disse que vários alunos já foram encaminhados ao mercado de trabalho em Votuporanga, mas que ainda existe demanda. Caso as empresas se interessem em avaliar alguns deles, para possível contratação, basta entrar em contato com a direção da escola e passar o perfil pretendido e uma equipe especializada da Apae fará a pré-seleção e encaminhará os candidatos. A escola fica na rua Tiete, 4860 – Fone: 3426-8490.

Depoimento
Cansada de ouvir dos colegas de faculdade “esse trabalho a Bianca faz, ela não faz nada o dia inteiro mesmo”, a estudante de Publicidade e Propaganda da Unifev decidiu iniciar a busca por uma vaga no mercado de trabalho. Depois de distribuir uma enxurrada de currículos, e como resposta receber uma avalanche de “nãos”, ela decidiu tentar a sorte na própria instituição onde estuda e teve uma grata surpresa. A Unifev abriu as portas para Bianca como estagiária e recentemente depois de passar por processo seletivo foi efetivada no setor de Marketing, numa das vagas reservadas a deficientes. Entre as palavras de Bianca: “dificuldades físicas não interferem na capacidade de uma pessoa, acredito que um dia não sejam necessárias leis ou cotas para inclusão de deficientes no mercado de trabalho. Neste tempo, os profissionais serão contratados por suas eficiências.”.
Enquanto este dia não chega, a estudante procura que as pessoas vejam nela suas aptidões e potencialidades, mesmo porque, ela concorda com Ronne Paulo de Magalhães, que diz: “Deficiência é não enxergar, nas pessoas, as suas verdadeiras eficiências”.

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